Reforma Administrativa: riscos e cenários possíveis em 2026

O debate sobre a Reforma Administrativa permanece em aberto e pode assumir novos contornos ao longo de 2026. Ainda que não exista, neste momento, uma definição clara sobre seu encaminhamento, diferentes cenários se delineiam a partir da conjuntura política, econômica e social. Conhecer essas possibilidades é essencial não apenas para identificar riscos e antecipar impactos, mas também para orientar a atuação política, fortalecer a mobilização coletiva e qualificar a luta em defesa do serviço público frente às ameaças de avanço da reforma.

Cenário 1 — Aprovação completa da proposta Embora hoje seja o cenário menos provável, ele representa o maior risco para o serviço público. Uma combinação de fatores — alinhamento político entre Executivo e Congresso, reforço da pauta fiscal e pressão do mercado — poderia levar à votação e aprovação integral da reforma. Nesse caso, dispositivos altamente prejudiciais poderiam entrar em vigor como um pacote único: ampliação generalizada de contratos temporários, fragilização da estabilidade, avaliações de desempenho subjetivas, mudanças estruturais nas carreiras de nível superior, revisão de direitos e impactos previdenciários.

Cenário 2 — Rearticulação mais agressiva da pauta Nesse cenário, a reforma não é votada integralmente, mas retorna com força política renovada. A depender da conjuntura do início de 2026 — recomposição de comissões, forças partidárias e ambiente econômico — a pauta pode avançar em bloco, ainda que sem a velocidade do cenário anterior.O texto poderia ser retomado com forte pressão dos setores que defendem a reestruturação profunda do Estado, reintroduzindo pontos duramente criticados pela categoria.

Cenário 3 — Avanço parcial da reforma por meio de fatiamento Este é considerado um dos cenários mais prováveis. Em vez de retomar o texto integral, parlamentares podem optar por fragmentar a proposta em projetos específicos e mais fáceis de aprovar. Nesse modelo, trechos da reforma podem aparecer em PLs ou PECs complementares, como:

• ajustes em regras de avaliação;

• ampliação de contratações temporárias;

• mudanças pontuais em carreiras;

• dispositivos que fragilizem a estabilidade ou abram brechas para terceirização.

O risco desse cenário é a aprovação silenciosa, com menor repercussão pública e fragmentação da resistência. Universidades e órgãos públicos seriam impactados gradualmente, mas de forma acumulativa, produzindo retrocessos significativos ao longo do tempo.

Cenário 4 — Pressão social freia o avanço O cenário mais favorável para servidoras e servidores é aquele em que a mobilização nacional — fortalecida por atos, audiências, marchas e participação nos espaços institucionais — impede que a pauta avance. Neste cenário, o debate tende a ser adiado, reavaliado ou substituído por propostas menos prejudiciais. A manutenção de condições de trabalho, estabilidade e continuidade das políticas públicas é preservada — e o serviço público permanece protegido de retrocessos estruturais, pelo menos no momento.

A análise desses cenários reforça a importância da vigilância permanente, da informação qualificada e da mobilização coletiva na defesa do serviço público e das universidades federais.

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Salete de Jesus Souza Rizzati
Presidente ATENS / UFSM
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